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CONSTRUINDO UM
PLANADOR EM FIBRA DE VIDRO
Por:
Edson Nóbrega
Escolha do modelo
Os
planadores constituem uma das máquinas mais fascinantes
do rádio-controle. As elegantes evoluções
de um planador, sem dúvida, nos deixam de "boca
aberta", ainda mais se o modelo for concebido por nós
mesmos.
Sempre
observei com atenção todas as categorias de
planadores, muito embora, eu nunca tenha praticado algumas
delas. Quando tomei conhecimento dos planadores da classe
F3J, não pude resistir ao fascínio desses modelos,
apesar de não ser um competidor da categoria.
Afinal
o que há de tão fascinante em tudo isso? Bom,
para mim, não há estampa mais bonita do que
um modelo voando numa térmica a duzentos metros do
chão. Haverá quem ache isso chato...
O
modelo que resolvi construir, é da classe F3J. Os planadores
da categoria F3J possuem uma envergadura de aproximadamente
3 a 3,5 metros. A fuselagem mede geralmente 1,5 metro de comprimento,
tendo em sua parte posterior uma cauda convencional em forma
de cruz (leme direcional e de profundidade) ou uma cauda em
"V", em que apenas duas superfícies de controle
fazem o papel de profundor e leme.
O
peso total de um planador F3J no momento da decolagem é
de cerca de 2,3 a 2,5 kg. Isso compreende não apenas
o peso do próprio modelo, como também o de todo
o equipamento de recepção do radio controle
(receptor, bateria e servos), além do peso colocado
no avião dentro de tubos, localizados abaixo do Centro
de Gravidade ( CG ) para a regulagem do (CG), medida que proporciona
estabilidade ao vôo do planador, além de tornar
o modelo mais rápido, ao se adicionar peso ao conjunto.
Iniciando a Fabricação do Molde
Os
modelos da classe F3J, em sua grande maioria são moldados,
ou seja, a fuselagem é feita em moldes e laminada em
fibra de vidro, Kevlar ou Carbono. No nosso caso, o modelo
é feito em fibra de vidro.
Todos
os materiais para construção do modelo podem
ser encontrados em lojas que vendem fibra de vidro e afins.
O
primeiro passo é fabricarmos o molde a partir de um
modelo denominado "Plug". O Plug pode ser feito
em madeira, isopor® ou até mesmo de uma fuselagem
que desejamos copiá-la. Inicialmente devemos preparar
o Plug aplicando várias camadas (mínimo cinco)
de cera de carnaúba para que a superfície fique
totalmente polida e coberta com uma fina camada de cera. Não
devemos usar cera a base de silicone. Após a cera haver
evaporado todos os solventes, é hora de aplicarmos
o desmoldante a base de PVA. Para que a junção
do molde fique exatamente na linha central da fuselagem, é
necessário que façamos uma moldura de madeira
com a silhueta do plug.
Como
o processo de fabricação exige algum conhecimento
em resinas e fibra de vidro, os interessados em fabricar seu
modelo poderão encontrar alguma dificuldade, contudo,
não há o que se preocupar. Tudo está
disponível na Internet, em diversos sites sobre o assunto,
como estes.
http://www.arrakis.es/~josepal/
http://www.scrollsander.com/ChrisSoaring.htm
Preparação
do Molde
Agora vamos detalhar o processo, usando como modelo uma simples
carenagem de roda (polaina). O processo de preparação
e laminação é o mesmo usado para qualquer
peça, que desejarmos fazer em fibra.
Devemos
deixar apenas a metade do plug visível, a outra parte
está em baixo da plataforma usada para dividir a peça
ao meio. Para esse fim utilizarmos um compensado de 4mm, no
caso de uma fuselagem, devemos usar um de no mínimo
10mm. O compensado deve ter a mesma silhueta do plug, assim
como, devemos deixar um pequeno espaço entre o plug
e as bordas do compensado. Esse espaço deve ser preenchido
com massa. Eu sempre uso massa corrida (aquelas massas usadas
para paredes) é simples e fácil de aplicar.
O plug de ser encerado antes desse processo.
A
peça que vamos usar como plug, deve ter a linha central
determinada antes de cortarmos a plataforma. Como a polaina
de roda é muito pequena, achei melhor dividir no eixo
transversal, mas na maioria das vezes usamos como referência
o eixo longitudinal da peça a ser moldada. É
o caso de uma fuselagem.
Após
havermos aplicado a massa partimos para a aplicação
do desmoldante PVA. Esse desmoldante é líquido,
deve ser aplicado duas demãos para evitar que alguma
área não seja atingida pelo produto.
O
plug agora está pronto para receber a primeira camada
de resina. Pode-se aplicar o gel próprio para moldes,
mas isto só é necessário se quisermos
fabricar muitas peças. Na maioria das vezes eu aplico
uma resina mais viscosa na primeira camada.
A
primeira camada de fibra deve ser aplicada quando a resina
já estiver no "ponto de toque". Esse ponto
é determinado quando podemos tocar com o dedo a área
onde aplicamos a resina e a superfície estiver pegajosa,
mas sem sujar o dedo. Por que? É simples, a fibra "gruda"
na resina, diminuindo o trabalho na hora de aplicarmos a segunda
camada de resina.
Devemos
aplicar sucessivas camadas até que a parede do molde
tenha uns 4mm de espessura. Quando a resina curar, poderemos
retirar o plug da plataforma que usamos para dividir a peça
ao meio. Teremos agora que laminar a outra metade. Será
necessário que façamos uma base que servirá
para reter a resina da outra parte do molde.
Todo
o processo usado na primeira parte se repete agora com a segunda.
A base que fizemos, servirá agora como plataforma.
Após a cura total das peças, é hora de
desmoldar. Podemos usar uma lâmina e, se você
seguiu as dicas sobre a aplicação da cera e
do desmoldante, com pouco esforço a peças será
deslocada e teremos o resultado esperado.
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